A DIREITA SAI DE CASA PELA PORTA DA ESQUERDA [1].
Introdução
Esse trabalho busca estabelecer uma visão de classe das
manifestações desencadeadas após as elevações de tarifas de transportes e da
conjuntura que delas resultou. Embora considere principalmente a experiência de
São Paulo, corresponde linha geral ao que o noticiário também sobre outras
partes do Brasil.
Na
Mídia em geral, e mesmo em manifestações da esquerda, vemos referências
indiscriminadas a povo, jovens, pessoas, trabalhadores. Mas que “povo” é esse?
Quais as determinações de classe desses “jovens” e dessas “pessoas”? De que
“trabalhadores” estamos falando?[2]
A Base da Pirâmide e a Classe Média.
Partamos
de alguns pontos sobre a situação da classe média e dos trabalhadores da base
da pirâmide, com o respaldo da análise de SINGER (2012) sobre o lulismo[3].
Referida análise, no que aqui interessa, aponta que as diversas políticas
econômicas e sociais do governo Lula geraram um realinhamento eleitoral que
consiste, em termos os mais resumidos possíveis, em que a população de mais
baixa renda[4]
– ali chamada de subproletariado – a partir de 2005/2006 se incorpora no apoio
a Lula. Essa faixa do proletariado teria interesse na mudança, mas,
contraditoriamente, rejeitaria o conflito. Quer a mudança dentro da ordem.
Ao
mesmo tempo, também no período 2005/2006, a classe média consuma sua passagem à
oposição, fundamentalmente através do apoio ao PSDB, mas também, uma pequena
parte, à oposição de esquerda.
POCHMANN aponta que os empregos gerados na
década de 2000 ficaram concentrados na base da pirâmide social - com renda até
1,5 salários mínimos[5].
E que na faixa de renda acima de 3 sm chegou a haver importante redução das
vagas:
“Na
década de 1990, estabeleceu-se no Brasil um novo padrão de trabalho, composto
por um menor ritmo de geração de postos de trabalhos e um perfil de remuneração
distinto. Isso porque foram abertos somente 11 milhões de novos postos de
trabalho, dos quais 53,6% não previam remuneração.
Na
faixa de renda de até 1,5 salário mínimo, houve a redução líquida de quase 300
mil postos de trabalho, e esse segundo padrão de emprego diferenciou-se
significativamente daquele verificado entre os anos 1970 e 1980.
Por
fim, a década de 2000 apresentou uma alteração importante no padrão de trabalho
da mão de obra brasileira, marcada por forte dinamismo nas ocupações geradas e
no perfil remuneratório. Do total líquido de 21 milhões de postos de trabalho
criados na primeira década do século XXI, 94,8% foram com rendimento de até 1,5
salário mínimo mensal. Nas ocupações sem remuneração, houve a redução líquida
de 1,1 milhão de postos de trabalho, enquanto na faixa de cinco salários
mínimos mensais a queda total atingiu 4,3 milhões de ocupações. Em síntese,
ocorreu o avanço das ocupações na base da pirâmide social brasileira. (Ver
Figura 2.2.)
Esse
privilégio da atenção aos trabalhadores da base da pirâmide fica evidente das
tabelas a seguir, extraídas de POCHMANN (2012)
SINGER aponta, daí, uma
“polarização entre ricos e pobres”. Lembra JESSÉ SOUZA, para quem
“A classe média brasileira, por
comparação com suas similares europeias, por exemplo, teria o singular
privilégio de poder poupar o tempo das repetitivas e cansativas tarefas
domésticas, que pode ser reinvestido em trabalho produtivo e reconhecido fora
de casa”.[6][7]
E conclui, ele próprio,
“Daí a resistência da classe média
ao programa do lulismo de erradicação da miséria, produzindo-se reação muito
distante da indiferença política. O lulismo mexe com um conflito nuclear no
Brasil, aquele que opõe “incluídos” e “excluídos”.
Essa
classe média, vê-se, não obteve ganhos, e teve perdas econômicas.
Se
piora mais grave não houve na situação dessa classe média, foi ela muito mais perceptível
dada sua posição relativa, na medida em que viu os mais ricos passarem a ganhar
ainda mais, decolarem e se afastarem, de modo que os de cima se perderam nas
alturas, ao mesmo tempo em que os de baixo, os da base da pirâmide ou de
baixíssima renda, tiveram uma certa ascensão, aproximando-se de seus
calcanhares. Essa queda relativa da baixa classe média foi o elemento material
que a conduziu a, somada à questão ideológica da luta contra a corrupção,
abandonar desde 2005 o PT e Lula e aderir definitivamente à oposição de direita
(PSDB e aliados) e à oposição de esquerda (PSTU, PSOL, etc.[8])
É
certo que essa classe média não foi capaz de elaborar demandas econômicas, de
aperceber-se concretamente de quais os motivos de sua insatisfação. Vê que está
sendo lançada para o grupo de baixo, mas não é capaz de determinar onde lhe
foram impostas as perdas que a rebaixaram (porque tais perdas, em geral, não
existiram). E não encontra também resposta nos partidos da oposição, quer os de
direita, quer os da esquerda. Daqueles, obteve bandeiras vagas – “luta contra a
corrupção”, “gerenciamento” – e destes bandeiras que não respondem a seu
próprio interesse, mas ao interesse dos “de baixo”. Uns e outros, porém,
encontram-se em torno de valores éticos que parecem permear suas plataformas
políticas nas ações concretas, o que faz essa classe média ir-se posicionando
em torno de palavras de ordem e questões de valores, genéricas. Assim como foi
se articulando – na sua vertente de esquerda, longe das demandas de classe, em
torno de demandas ditas de direitos humanos, sob orientação multiculturalista.
São os excluídos, não mais os proletários, os explorados, o foco de seus
esforços organizativos. Assim é que questões de enfrentamento de classes,
opondo, por exemplo, latifundiários e agrocapitalismo com trabalhadores
canavieiros, sem-terra, pequenos proprietários foram apresentadas sem o
conteúdo de classe, como expressão de defesa de uma identidade cultural, como
questões indígena, quilombola, ambiental, etc. A exploração capitalista foi
seccionada e setorizada, passando a valer não pelo que é – pelas relações de
produção – mas pelo que parece ser: mineração, agronegócio, construção de
barragens, produção de transgênicos, destruidora do meio ambiente, destruidora
da identidade cultural, etc.
Capturada
pelo lulismo, a relação com os mais pobres passou a ser feita pela luta contra os
efeitos da exploração, em lugar de ser feita contra a exploração, mas com as
medidas governamentais atacando aqueles efeitos e amortecendo seus impactos, seja
através de programas de complementação de renda, como Bolsa Família, seja
através de programas sociais como Luz para Todos, PROUNI, Minha Casa, Minha
Vida, etc.
De
outro lado, opondo-se à perspectiva governamental, os mesmos óculos nublaram a
visão da extrema-esquerda que, em busca de se opor ao lulismo, chamou aquelas
medidas de “cooptação” e passou a exigir,
pela via da organização de movimentos sociais, medidas de efeito semelhante
(fornecimento de cestas básicas, assentamento e programas de moradia para integrantes
de movimentos de sem-teto, etc)[9].
Revelou
assim essa extrema-esquerda um mesmo vício de substituir a causa pelo
resultado, incapaz de fugir dos limites impostos pelo lulismo, mesmo se opondo
a ele.
Ainda
há que investigar e desenvolver melhor o impacto que pode ter tido sobre isso
uma visão que sobrepõe a ética às determinações da luta de classes, resquício
das lutas que levaram à superação da ditadura militar e do papel da igreja
católica no processo.
Das
lutas que resultaram na derrota da ditadura militar, primeiro, e das
dificuldades advindas da prolongada crise econômica e descenso das lutas
operárias – e urbanas, de modo geral –, decorreu a apresentação de inúmeras
demandas como demandas de valores, éticas, e fundamentadas como direitos
humanos. Reivindicações que o desemprego profundo e prolongado tornavam
impossíveis de serem formuladas em face do patronato, passaram a ser formuladas
em face do Estado, apresentadas como direitos, e Direitos Humanos: direito à
moradia, direito ao trabalho, direito à saúde, direito ao transporte. Também
daquelas lutas contra a ditadura, permaneceram as reivindicações de valores
referentes a direitos identitários, vinculados à luta pela liberdade, como os
valores anti-discriminatórios em geral, de raça, gênero, condição física, identidade
e orientação sexual.
Isso
promoveu a influência do multiculturalismo e da cultura de direitos humanos,
sobrepondo-se, mesmo no interior das organizações marxistas, à visão dos processos
de um ponto de vista de classes.
Daí,
possivelmente, a evidência de um liame de defesa de elementos reduzidos a éticos, ou postos no âmbito de direitos humanos, unificando um bloco de
organizações partidárias marxistas, organizações religiosas, movimentos sociais
e identitários[10]
e mesmo indivíduos dispersos na atualidade. Tais movimentos e indivíduos buscam
unidade e até logram estabelecê-la em algumas circunstâncias, em torno de
questões de proteção da identidade, mas raramente em torno de questões sociais.
Assim, por exemplo, se é verdade que o MST pôde apoiar as causas indígena ou
LGBTT, não se tem notícia de indígenas ou o movimento LGBTT apoiando ocupações
do MST ou do MTST.
Se
a classe média que adotou a oposição ao lulismo pela esquerda pôde se refugiar
nas bandeiras éticas e identitárias, ou em sucedâneos dos mesmo programas
lulistas, aquela que adotou a oposição pela direita se viu privada de demandas
materiais, ou que pudessem ser expressas materialmente. Esses setores adotaram
a linguagem da extrema direita e hasteiam bandeiras como a da “meritocracia”
contra as políticas de cotas e de inserção de faixas de renda mais baixa nas
universidades; contra as políticas de complementação de rendas[11],
etc, o que expressava muito mais o susto de ver uma ascensão dos de baixo do
que, concretamente, uma redução de sua própria condição material.
Nesse
sentido, as análises de POCHMANN e SINGER contêm dados semelhantes, não apenas
no que toca à faixa de mais baixa renda – subproletariado, para SINGER; base da
pirâmide, para POCHMANN –, pois ainda
que este não analise repercussões políticas e sociais dessa incidência
econômica, elas ficam subjacentes, mas também com relação à classe média.
As manifestações em curso - O Início – Hegemonia da Oposição de Esquerda
As
manifestações de agora foram iniciadas por um movimento social de classe média,
com uma demanda de interesse da população de mais baixa renda. O MPL é um
movimento de classe média daquela oposição de esquerda, o que explica também a
sua relação privilegiada com partidos como PSOL e PSTU, presentes nas
manifestações desde o início. Suas manifestações tinham um conteúdo e uma
tendência à radicalização contra o governo municipal petista e as correntes que
o apoiam. Mas o MPL é, também, um movimento que se reivindica na faixa do
autonomismo e do anarquismo, da ação direta e da organização horizontal.
Esse
fato, se autoriza a participação da juventude de classe média de esquerda,
estabelece limitação à participação dessa juventude , representada por suas
organizações. Isso introduz, já desde o início, um valor desorganizativo ao
processo. Os estudantes estavam na manifestação, mas não os diretórios e
centros acadêmicos[12].
No
interior do movimento, a predominância da oposição de esquerda permitiu as
vezes vislumbrar ações contra algumas correntes adversas, antes mesmo que o
anti-partidismo e a ação coordenada da direita contra toda a esquerda se
fizessem patentes. A verdade é que a vitória da direita aconteceu nas condições
propiciadas por algumas, estimuladas por outras e combatidas por poucas forças de
esquerda.
Como
houve aqui em SP aumento também das tarifas do metrô, de responsabilidade do
governo do PSDB, Alckmin lançou a repressão contra as manifestações,
acompanhado pelos cães de guarda da mídia. Rapidamente, toda a oposição de
esquerda, e mesmo algumas forças de esquerda que não desfilam na oposição,
foram se somando.
As
escaramuças perduraram até a quinta-feira sangrenta, dia 13 de junho, quando os
cachorros-loucos da PM, sob ordens do secretário Fernando Grella (que
justificou suas atitudes, num primeiro momento, após a manifestação), não
selecionaram alvos numa repressão extremamente horizontalizada e extremamente
violenta que alcançou parte da imprensa.
Essa
repressão foi denunciada pela mídia mercê de terem sido vitimados alguns de
seus funcionários, mas foi principalmente divulgada nos meios cibernéticos,
incidindo o fato de que a tecnologia disponível põe hoje ao alcance de 95% das
pessoas uma câmara fotográfica e de vídeo no bojo do obrigatório telefone
celular. Resultado: o massacre foi amplamente documentado.
Feita
a documentação, outro fator tecnológico – a existência das redes sociais –
permitiu a divulgação da captura de uma realidade que se desconstrói por suas
próprias imagens, o que resultou na massificação da informação sobre as
manifestações pela internet, assim como pela própria grande mídia que não podia
seguir escondendo o que a web escancarava,
sob pena de se ver desmoralizada.
As manifestações em curso – O Salto para a Individualidade – Hegemonia
da Direita.
E
se deu, na manifestação seguinte, uma incorporação massiva da juventude de
classe média, uma incorporação massiva anti-lulista, mesmo porque diminuiu o
risco da repressão, com o recuo de Alckmin e a retirada da PM.
De
qualquer forma, temos como evidente que essa incorporação foi, concretamente,
expressão da juventude de classe média tradicional, sendo raras as
participações tanto de pessoas na faixa de mais de 40 anos, como de
provenientes das camadas de mais baixa renda[13].
Isso não desmerece, é sempre importante ressaltar, o fato de que a demanda
inicial atendia interesses desta última faixa social, localizada na base da
pirâmide. Mas, não pode haver dúvida de que a ampla massa que se incorpora
depois da quinta-feira sangrenta foi o outro setor – majoritário – da classe
média anti-lulista.
O
que levou à sua incorporação? A leitura de reportagens e entrevistas não conduz
a mais do que generalidades e "impressões": "temos que nos
manifestar", "não dá mais para ficar calado". E a uma pletora de
análises que partem sempre da dificuldade de apreender as motivações quando não
são, elas próprias tentativas de vender novas motivações.
Podemos
também adiantar aqui algumas "impressões", ainda sem suficientes elementos
concretos para embasá-las.
A ausência de motivação consciente para
a incorporação
De
início, a ausência de motivação clara, somada ao fato de se tratar da classe
média já é um indicativo importante. A classe média, tendo abandonado o PT e se
passado para a oposição - seja de esquerda, seja de direita –, como mostra SINGER,
demonstrou uma incapacidade de determinar suas próprias demandas, limitando-se
a expressar "valores" genéricos que defende ou foi levada a defender.
De
uma classe média desorganizada, mas sob a influência/hegemonia de linhas
políticas da direita que, em muitos casos, incorporou palavras de ordem da
oposição de esquerda, o que se tem nas ruas é um amálgama mal construído de
boas intenções e generalidades: defesa do
meio ambiente, contra as obras da
copa e repúdio à corrupção,
feitas aquelas nos moldes do que preconiza a igreja católica e os movimentos
culturalistas e de direitos humanos, e feita esta nos moldes do que defende o
PSDB, uma visão da corrupção em que não aparecem os empresários corruptores[14].
Essa
dificuldade de expressar demandas se somou (ou surgiu) do fato de que a
oposição partidária ao lulismo se viu sem plataforma para apresentar à
sociedade que não fosse a da “luta contra a corrupção”, uma possível
motivadora, aliás, do rompimento da classe média com o PT em 2005[15].
Solidariedade como motivadora da
incorporação
Por
outro lado, parece evidente que as cenas de combate e cerco, de tentativas de
aniquilamento e de retiradas da quinta-feira sangrenta, motivaram solidariedade
mas mesmo essa solidariedade não ultrapassou, no fundamental, o âmbito da
classe média. A expressão "no fundamental" resulta aí de dúvidas
sobre se a participação na pesquisa realizada pelo jornalista Datena em seu
programa de televisão pode ter sido expressão da base da pirâmide. A dúvida vem
da impressão - sem qualquer suporte em dados - de que seja esse seu público.
Por outro lado, dado o momento em que vai ao ar o programa, certamente boa
parte, senão a maioria dos trabalhadores dessa faixa não estaria em casa nem,
menos ainda, frente à TV ou pensaria em gastar uma ligação telefônica para dar
essa opinião. De qualquer modo, ainda que se possa ter aquela participação nas
pesquisas como manifestação da base da pirâmide, não foi além do possível
clique nos botões de um telefone, já que a participação concreta dos mais
pobres nas manifestações não foi percebida[16].
É
importante verificar que essa solidariedade foi desencadeada diante da
repressão. Mas também vale a pena indagar por que uma repressão tão violenta
foi capaz de fazer surgir um espírito de solidariedade em lugar do temor de
participação que a polícia e o governo esperavam[17][18].
As imagens constroem a realidade -
Perda de identidade da manifestação – O Espetáculo
Põe-se
em consideração a possibilidade de que essa solidariedade tenha decorrido de
uma identificação de classe; não com a classe cuja demanda motivava as
manifestações, mas com a classe que estava, concretamente, sendo agredida.
Mas,
sendo fruto de uma identidade de classe, foi também fruto de uma perda de
identidade política da manifestação.
As
redes sociais e a mídia trouxeram as imagens da repressão na quinta-feira
sangrenta. Mas as exibições de filmes e fotografias, em lugar de desvendar uma
realidade, mascararam-na. Mais do que isso. As imagens não apenas mascararraam a realidade, como criam uma nova realidade.
As
imagens mostravam pessoas fardadas atacando pessoas. Os atacantes eram
reduzidos a PMs, força do Estado. Os
atacados eram reduzidos a manifestantes.
Mas as imagens não mostravam as condicionantes políticas do Estado que atacava
as pessoas, nem das pessoas que eram atacadas. Aqueles podiam ser o governo
federal, estadual ou municipal, podiam ser expressão do PT, do PSDB ou qualquer
outro; do neoliberalismo, do neodesenvolvimentismo, da luta pelo socialismo.
Estes não eram militantes de esquerda, de tal ou qual partido, ou movimento
social. Eram apenas pessoas que
estavam na manifestação.
O
desaparecimento da condição militante de esquerda dos manifestantes constituiu
um convite maior à incorporação de qualquer jovem de classe média. A
participação já não tinha outros limites que a própria disposição de estar lá.
Não era mais uma manifestação de esquerda, que se limitava pela concordância
com uma palavra de ordem. Era uma manifestação para qualquer pessoa, com
qualquer palavra de ordem[19].
Não era mais pelos 20 centavos! Era por “direitos’!
E
era pelo espetáculo!
Não
sendo uma força organizada cada um ficava responsável por definir o que o
levava à manifestação. E cada um sabia que iria possivelmente ser filmado por
um dentre os milhares de celulares e câmaras nas ruas. E iria para a internet,
no facebook ou num blog, ou num site ou no instagram. E poderia ir para os
jornais ou para os sites dos jornais. E para a televisão. Cada um que cuidasse,
portanto, do modo como iria aparecer, como iria ser seu espetáculo.
As
participações se tornam, portanto, cada vez mais individuais, mesmo quando as
pessoas agem sob a hegemonia da extrema direita. Essa hegemonia estabelece um
padrão de temas: corrupção; não é por 20 centavos, é por direitos; contra a PEC 37; contra as obras da copa; pela
redução da maioridade penal; o
gigante acordou. Mas é a criatividade individual que fará a diferença e
mobilizará outros, porque abre a disputa para que cada qual demonstre suas
próprias qualidades de redator publicitário. Se não era mais pelos 20 centavos,
se era por direitos, era pelos direitos que cada um julgava importantes.
E
que não viesse, o MPL ou quem quer que fosse dizer que a manifestação era
contra a tarifa. Afinal, se não se aceitava que o Estado pudesse pôr limites à
manifestação, porque se havia de permitir que outros manifestantes pusessem? E,
mais, por que se havia de permitir que fossem postos limites por pessoas que
eram de esquerda e tinham bandeiras vermelhas, como vermelhas eram as bandeiras
do PT, o mesmo partido de que era o Prefeito que decretara o aumento? E a
Presidente, que fora eleita indicada pelo PT e por Lula, que indicara esse
prefeito? E que era corrupto e mensaleiro, como o diziam a mídia e a oposição
de esquerda e a internet e os blogueiros e todo mundo sabia?
E
como somente esses partidos de esquerda é que estavam presentes na
manifestação, eram estes que tinham que ser postos para fora. Donde a palavra
de ordem de “sem partidos” assume o significado de “sem partidos de esquerda”,
já que o maior partido da oposição, a mídia, estava ali presente.
O Antipartidarismo
Nas
manifestações convocadas pelo MPL conviveram o apartidarismo e autonomismo
desse movimento e a presença e atuação dos partidos da oposição de esquerda.
A
desconsideração do caráter de classe dos manifestantes iniciais e mesmo
avaliação equivocada das tendências de classes e setores de classes na atual
conjuntura, levaram o esquerdismo a acreditar que seu inimigo principal naquele
momento inicial seriam os partidos e forças que de algum modo apoiavam ou se
relacionavam com o governo.
Conduzidos
por uma visão primária e reducionista da política, que rejeita e não consegue
conviver com a contradição, a oposição de esquerda próxima ao MPL dedicou-se,
inicialmente, a promover a expulsão de dentre os manifestantes, das correntes
vinculadas ao governo, incapazes de uma lógica da luta de classes que os
fizesse entender que atrair setores dos partidos governistas para a luta contra
a tarifa adquiria primordialidade porque não apenas acrescia a força dos
manifestantes, como gerava desentendimentos na base governista[20].
Viam,
os partidos da oposição de esquerda, com isso, a possibilidade de se tornarem
os condutores de um processo que, sem que entendessem bem o porquê, crescia exponencialmente,
sem a presença das organizações políticas. Vangloriavam-se de suas atitudes
divisionistas e plantavam, com isso, a semente do antipartidarismo num terreno
que já era fertilizado pelo caráter individualista da classe média, pelo
caráter autonomista do MPL e pela desconstrução do caráter de esquerda pela
imagética das manifestações e da repressão a elas.
A
primeira manifestação após a quinta-feira sangrenta (a quinta da série atual de
protestos) viu, no Largo da Batata, um início de choques entre os Partidos e a
individualidade que acorreu às ruas. Mas foi na sexta manifestação que se
consumaram os ataques contra os Partidos presentes, com queimas de bandeiras de
ataques ao PCR, PSTU e PSOL.
O
pensamento hegemônico de direita já conduzia nesse sentido. Jabores e marcelos
rezendes, depois de combaterem as manifestações e terem corrigido a rota,
passaram a centrar fogo na necessidade de rejeição aos partidos, chamados de
oportunistas e acusados de somente terem se somado os protestos após o seu
crescimento.
Mas,
se esse antipartidarismo partia do individualismo, o pensamento hegemônico foi
fortalecido pela ação da própria oposição de esquerda. E, finalmente, veio a
contar com a direção organizada de grupos de extrema-direita, skinheads e
quetais.
Participação da base da pirâmide
Não
obtivemos elementos para mensurar possível participação de trabalhadores da
base da pirâmide social nessas manifestações. Certo é que houve esforços
descoordenados de convocação de protestos na periferia, pelo MTST, Periferia
Ativa e alguns outros inindentificáveis. Os números apresentados pela mídia
foram, em geral, extremamente reduzidos. Mas houve algumas exceções. De
qualquer modo, a constatação visual indicou que as manifestações reuniam jovens
brancos, de classe-média, sendo a presença de pessoas de mais idade ou negros
uma absoluta exceção[21].
Já
se estudou e apresentou que os grupos de skinheads são de extração de entre os
de mais baixa renda, expressão de uma conflitiva oposição ao conflito que a
esquerda organiza. Sua presença no meio da manifestação de classe média perde
identidade quanto à origem social, mas a ganha quanto à ideologia subjacente em
ambos, variando naquilo que uns privilegiam a individualidade e outros propõem
ação organizada em defesa das propostas radicais fascistas.
Violência
Não
temos como excluir a possibilidade de que a violência tenha sido empregada como
arma de convencimento pelo exemplo, ou como atividades de provocação para
autorizar a repressão policial. Mas não temos, também, como excluir a
possibilidade da atitude individual desorganizada, motivada pela vontade vista
como necessidade de ocupar um lugar na história, e carente de orientações e
limites que a organização proporciona.
Mesmo
no caso da mais completa identificação de um indivíduo participante do ataque à
Prefeitura, filho de um pequeno empresário, embora suas características físicas
pudessem sugerir, não houve outros que permitissem comprovar se seria ele
integrante de organizações para-militares fascistas.
Pelo
menos num caso, exatamente esse ocorrido no dia da sexta manifestação, em 18 de
junho, a violência esteve vinculada aos saques, com aspectos também
demonstrativos de desorganização, quando moradores de rua levaram para suas
barracas de cobertores TVs de plasma que não apenas não poderiam utilizar, como
nem poderiam carregar ou exibir para a venda.
O fim das convocações do MPL e
possíveis tendências em SP
O
fim das convocações do MPL em SP correspondeu não apenas ao reconhecimento da
vitória alcançada em termos específicos da demanda inicial, mas da necessidade
de repensar os passos seguintes, diante da nova conjuntura criada.
Esse
fato não impedirá, como não impediu, novas concentrações. Mas a desorganização
das convocações pela web tende a
fazê-las perder massificação. Diversas manifestações aconteceram na noite de
sexta-feira, 21, e no sábado, 22 de junho. Na Avenida Paulista, sexta-feira à
noite, três manifestações perambularam com propostas distintas e, sem elemento
aglutinador, não conversavam entre si: a do ato médico, da cura gay e uma da
Zona Leste Somos Nós. Outras em rodovias e no interior também aconteceram, mas
a tendência é de que, salvo se se afirmar uma outra organização com
legitimidade para convoca-las, as manifestações tendem a diminuir e refluir.
Se
o mesmo passará em outras cidades e Estados, parece cedo para afirmar.
Não
é possível ainda saber o impacto de novas intervenções.
O fascismo interessa ao capital?
A
proposição de petição pública no AVAAZ, capitaneada por Pedro Abramovay, pedindo
o impeachment de Dilma, pode ou não contribuir para formar um quadro golpista[22].
Quanto
à avaliação das possibilidades de desenvolvimentos golpistas, ademais do que já
se disse, acrescentamos que é possível perceber também um certo desarranjo
entre as forças organizadas da direita. Se alguns editoriais do Estado de
S.Paulo e da Folha de S.Paulo sugeriram convocações golpistas, pode-se
perceber, também sinais de medo da violência e de perda de se controle. O
acréscimo de noticiário sobre os conflitos e vandalismo se vê também nos meios
televisivos.
Por
outro lado, não parece que para o Capital a derrubada do governo fosse uma
alternativa desejável, uma vez que sairia de um modelo que lhe permite a
garantia de todos os lucros e seu crescimento, em troca do ingresso numa
situação de grande instabilidade.
Donde
podemos resumir afirmando que as manifestações mostraram que a disposição
oposicionista da classe média aprofunda-se para a direita, mas que essa mesma
classe média se expressa desorganizadamente. Havendo, assim, um caldo de
cultura para forças golpistas, esse mesmo caldo de cultura traz em si elementos
que dificultam uma ação organizada nesse sentido.
Conclusão
Na
década de 50 e ainda antes de 1964, a esquerda brasileira reconstituiu um
sebastianismo próprio em torno da imagem do conflito entre pobres e ricos,
vislumbrando o dia em que os de baixo da ordem social, localizados nas alturas
geográficas do Rio de Janeiro, fariam o assalto ao poder: “Mas, olhem bem, vocês: quando derem vez ao morro, toda cidade vai
cantar!”.
Ainda
que as análises mais consistentes apontem a inapetência do subproletariado para
o conflito social, a possibilidade de vê-lo convertido em proletariado, após 10
anos de lulismo pode, é verdade, permitir enxergá-lo na Avenida Paulista. Trata-se,
porém, de saber se naquele espaço ele estaria se vendo ao lado ou contra essa
classe média que por ora dali se adonou.
Para
a esquerda como para a direita, a visão do subproletariado como um novo
proletariado pode povoar sonhos e pesadelos.
BIBLIOGRAFIA
DATAFOLHA.
Maioria dos manifestantes em SP usa transporte público, diz Datafolha.
Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1299800-onibus-e-metro-sao-os-transportes-mais-utilizados-por-manifestantes-em-sp.shtml,
acesso em 23 de junho de 2013.
POCHMANN,
Márcio. Nova classe média? O trabalho na base da pirâmide social brasileira.
São Paulo: Boitempo, 2012.
SINGER,
André Vitor. Os sentidos do Lulismo. Reforma gradual e pacto conservador. São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
SINGER,
André Vitor. Esquerda ou Direita? Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/andresinger/2013/06/1299454-esquerda-ou-direita.shtml,
acesso em 23 de junho de 2013.
[1] A definição de esquerda e direita é sempre assunto
merecedor de exames aprofundados. Dadas as condições deste trabalho – limite de
espaço, de tempo, e o fato de estar redigindo “no meio da floresta” -, optamos
por seguir a lição de BOBBIO e valer-nos da adesão à busca da realização da
igualdade como parâmetro definidor da diferença entre esquerda e direita,
aquela com sinal positivo, esta com sinal negativo.
[2] Nota da CNBB
fala: "declaramos nossa solidariedade e apoio às manifestações, desde que
pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens.
Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o
desperta para uma nova consciência"; Nota
do PCB: Por todo o país, centenas de milhares de pessoas, em sua maioria jovens,
vêm ocupando as ruas...”; Nota da
Refundação Comunista: “Todavia, a juventude, os trabalhadores e todo o povo
brasileiro se mostram indignados e demonstram extraordinária capacidade
combativa.”; Carta Aberta dos
Movimentos Sociais: “As recentes mobilizações são protagonizadas por um amplo leque
da juventude que participa pela primeira vez de mobilizações”.
[3] O trabalho de SINGER está voltado primordialmente para
análise do comportamento eleitoral. Desse modo, valer-nos dele para análise de
manifestações de massas em situações não eleitorais pode, evidentemente, ser
inadequado. Julgamos, porém, que seu aporte sobre o conhecimento e
posicionamentos do subproletariado e da classe média ajudam a entender como
participam (ou não) do atual processo.
[4] Até 5 sm. de renda familiar, grosso modo, SINGER
(2012, P. 42)
[5] Uma dificuldade para o trabalho com dados de SINGER e
POCHMANN reside no fato de aquele valer-se de renda familiar, e este de renda
individual. Partindo de uma abordagem que considere a renda familiar
constituída, em princípio, pela contribuição de dois trabalhadores, teríamos de
[6] SOUZA, Jessé. Os batalhadores brasileiros, p. 23, apud
SINGER 2012
[7] Anote-se, para o exame da atual insurreição da classe
média, uma medida mais de interesse da base da pirâmide, a extensão às
empregadas domésticas dos direitos trabalhistas reconhecidos aos demais
trabalhadores.
[8] Esses partidos embora adotando ou se dispondo a adotar
uma teoria que os põe na defesa dos interesses do proletariado, estão fudamentalmente
compostos de militantes de classe média. Têm, assim, a cabeça nas estrelas
enquanto os pés afundam na lama. Essa circunstância gera seduções e descaminhos
que no mor das vezes não são percebidos e são, pelo contrário, justificados
como a mais pura aplicação da teoria. O afastamento da análise da situação
concreta, da formação político-econômica-social em proveito do modo de produção
parte disso, como as tendências ao esquerdismo.
[9] Possivelmente tenha sido o MST o único movimento
social a se diferenciar , aqui, por não assumir uma condição de movimento
identitário, nem reduzir suas demandas a similares de programas lulistas.
Talvez tenha sido ele, por isso, o movimento social mais golpeado pelo lulismo
com a rejeição de suas demandas.
[10] Procuro aqui diferenciar movimentos sociais, aqueles
cujas demandas têm, de algum modo, relação com a situação social das pessoas,
como movimentos de sem-terra e sem-teto, daqueles movimentos que se destinam a
afirmar ou proteger a identidade das pessoas, como movimentos feministas, pelo
reconhecimento e proteção da diversidade sexual, de indígenas e quilombolas.
[11] Como outros exemplos, podemos lembrar as bandeiras por
redução da maioridade penal, exigência de maior atividade policial, por
exemplo.
[12] Um fato que não restou mensurado é o da participação
dos estudantes universitários prounistas.
[13] Indicativo disso se tem em pesquisa do Datafolha
publica na Folha de S. Paulo do dia 23 de junho de 2012 em que, ao indagar-se
sobre a continuidade das manifestações na sexta-feira, dia 21, 66% se
pronunciaram pela continuidade dos protestos e 34% contra: "O apoio está
entre os mais escolarizados, aqueles com renda mensal de cinco a dez salários
mínimos e entre os mais ricos. Contra estão principalmente os mais velhos e os que têm renda até dois
salários mínimos". Folha de S. Paulo, 23 de junho de 2013, Cotidiano 1,
p.1. Esses resultados constituem, também uma confirmação mais da conclusão de
SINGER sobre a rejeição do conflito pelo setor de mais baixa renda da
sociedade. Quanto a essas manifestações especificamente, porém, SINGER vê nelas
a presença do novo proletariado, ex-integrantes do sub-proletariado favorecidos
com uma ascensão social: “Se o estopim foi aceso pela classe média, o novo
proletariado, forjado na década do lulismo, entrou nas avenidas, dando um
colorido inédito às marchas reivindicatórias.” (SINGER (2013-A). Mas,pesquisa
realizada tão somente entre participantes da maior das manifestações havidas em
São Paulo, a do dia 20 de junho, após a redução da tarifa do transporte público
não permite localizar esse novo proletariado. Ouvidos pelo Datafolha 551
entrevistados, a pesquisa com margem de erro de 4% indicou que a maioria dos
manifestantes tinha entre 21 e 35 anos (63%), e ensino superior (78%).
[14] Perceba-se que no caso tornado pela mídia emblemático
da corrupção no Brasil – o do mensalão -, não há a figura do corruptor que
provê o dinheiro. Tratar-se-ia de caso de corrupção em que membros de um
partido, com dinheiro do partido, corromperiam membros do próprio partido e de
outros para votar matérias de interesse de seus partidos.
[15] Lembremos que a luta contra a corrupção já era
bandeira da classe média ao tempo da UDN.
[16] Com a possível exceção dos saques que teriam envolvido
moradores de rua, durante a manifestação da terça-feira, 18/06.
[17] Considero a hipótese, dado o fato da incorporação do
setor jovem dessa classe média que também tenha ocorrido a identificação da
abertura de uma janela histórica para a participação, para mudar o Brasil.
Esses jovens lêem e ouvem falar das lutas de seus avós contra a ditadura, de
seus pais, entre os caras-pintadas. Podem ter visto agora a oportunidade e
ouvido o chamado para ocupar seu lugar nas ruas. Que essa participação fosse
desorganizada e individual, pode resultar do fato de que a janela que se abre
se abre na tela do computador, que o chamado que se ouve não permite a
organização.
[18] Um elemento episódico: Em 1968, milhares de pessoas
foram às ruas em manifestações contra a ditadura. Quando, em 1992, desatou-se o
processo do impeachment de Collor, a TV Globo levava ao ar, com grande sucesso,
a série “Anos Rebeldes”, que glamourizava a luta contra a ditadura, inclusive a
Passeata dos Cem Mil. Agora, coincidentemente, o canal Viva, dedicado a
reapresentações de programas de sucesso da Globo, exibia (segue exibindo) a
mesma série Anos Rebeldes. Teria esse fato ajudado a motivar os jovens de
classe média a buscar “um lugar na história”?
[19] Diferente disso pensa SINGER (2013-A), para quem uma
ausência de direção unificada permitiu a diversidade de ideologias opostas nas
manifestações: "O saudável ímpeto antivertical tem como contrapartida a falta
de direção unificada. Ao não se delimitar com clareza o que cabia e o que não
cabia nas manifestações, elas começaram a agregar um pouco de tudo, até mesmo
ideologias opostas, como ficou claro na briga entre direita e esquerda que
marcou a comemoração da vitória na av. Paulista anteontem."
[20] Somente na convocatória para a 7ª manifestação, a
última proposta pelo MPL, José Maria de Almeida, do PSTU, marcou posição nesse
sentido: "Ainda ontem participei de uma reunião onde ouvi críticas à
possibilidade de a juventude do PT participar das manifestações com suas
bandeiras. Penso o contrário. Que bom que a juventude do PT quer somar-se a
luta pela redução da tarifa, agora, da redução do preço da passagem e pelas
demais demandas do povo que está nas ruas. Alguns podem dizer que trata-se de
uma contradição, pois o governo é do PT. Eu diria que é uma boa contradição.
Quanto mais gente do PT estiver nas ruas lutando, menos força terão os governo
do PT para fazer o que estão fazendo contra o povo, e isso, de alguma forma vai
levar a uma superação desta contradição. Que venham então as bandeiras do PT
para somar-se à luta pelas reivindicações dos trabalhadores e da juventude
brasileira.”
[21] Retomem-se aqui os dados fornecidos pelas pesquisas do
Datafolha, apontando a participação amplamente majoritária – quase exclusiva –
da classe média tradicional.
[22] Há tempos vimos sendo advertidos sobre denúncias que apontam o AVAAZ como uma organização a serviço
da CIA, que já promoveu o apoio à intervenção na Líbia e atualmente na Síria, e
agora no Brasil.
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